O RESGATE DO BANDOLEIRO (The Tall T, 1957)

[Por Ronald Perrone]

Segundo de uma série de sete bangue-bangues que o diretor Budd Boetticher rodou com o ator Randolph Scott entre 1956 e 1960, O RESGATE DO BANDOLEIRO está entre os meus favoritos dessa parceria, um western soberbamente insólito e sombrio, com roteiro do grande Burt Kennedy, baseado numa breve história de Elmore Leonard.

Scott é Pat Brennan, um aposentado peão de rancho, agora com sua própria fazenda, que perde seu cavalo em uma aposta para seu ex-empregador e tem que andar a pé até o destino que o espera: o sequestro de uma diligência, com uma herdeira (Maureen O’Sullivan, mãe de Mia Farrow) e seu marido oportunista, por três bandidos encarnados por Richard Boone, Henry Silva e Skip Homeier. E Brennan cai de pára-quedas nessa situação, preso num fogo cruzado de traições, desilusão, ganância, além de correr o risco de perder a própria vida.

O que não significa que Brennan vá encarar os bandidos e apelar para a ação. É evidente que numa certa altura isso aconteça, o sujeito toma uma atitude mais ousada, com direito a uma cena violentíssima pra época em que Brennan estoura a cabeça de um dos facínoras com um rifle. No entanto, como Martin Scorsese já dizia, Boetticher “sempre deu mais importância aos personagens que à ação. Cada aventura era um jogo de pôquer e os complexos movimentos dos jogadores eram mais importantes que a meta declarada”. O que resume bem o que é O RESGATE DO BANDOLEIRO. Não importa se Scott vai conseguir se livrar dos seus sequestradores, mas sim o percurso pelo qual os personagens percorrem ao longo da trama e as relações estabelecidas entre eles.

Em O RESGATE DO BANDOLEIRO é a relação entre Brennan e Frank Usher (Boone), o líder do bando, que dá ao filme a sua profundidade. Os dois sujeitos, herói e vilão, são parecidos de várias maneiras, figuras desmistificadas e complementares que compartilham dos mesmos anseios e até de um mesmo código, embora suas maneiras de alcançar seus sonhos diferem. Há um sentimento de respeito mútuo e, ainda assim, ambos sabem que quando chegar a hora, um terá que tirar a vida do outro.

Há ainda a relação de Brennan com Doretta (O’Sullivan), que se desdobra numa sutil tensão sexual que se constrói à medida que são forçados a dormir juntos numa pequena caverna enquanto planejam sua sobrevivência.

É interessante notar como os westerns de Boetticher são aparentemente simples e crus, como é o plot de O RESGATE DO BANDOLEIRO, mas por detrás da superfície se revelam extremamente complexos e sombrios, cheios de simbologias que enriquecem tanto o visual quanto o drama. Uma cena simples, como a que o diretor utiliza a imagem de um poço, por exemplo, é de uma força aterradora. Segundo os bandidos, suas vítimas foram jogadas lá dentro. Boetticher não mostra os corpos, mas basta um plano do poço para gelar a espinha.

Vale destacar algumas atuações, como a de Scott e Boone, obviamente. Mas quem rouba todas as atenções para si é Henry Silva, num de seus primeiros papeis para o cinema, fazendo um assassino psicótico de sangue frio chamado Chink. O que torna o filme ainda mais obrigatório. O elenco se completa com a presença de Arthur Hunnicutt e John Hubbard, vivendo o marido sacana.

O RESGATE DO BANDOLEIRO é mais um dos preciosos filmes do catálogo de DVD’s da Classicline, que também lançou ENTARDECER SANGRENTO (já comentado por aqui) e CAVALGADA TRÁGICA, dois outros belos exemplares da parceria Boetticher e Scott. A qualidade da cópia está excelente e o filme é apresentado no formato widescreen com opção de som original e a ‘dublagem clássica’ remasterizada. Todas as imagens do filme na resenha foram capturadas a partir dessa edição em DVD que pode ser encontrada nas melhores lojas físicas e virtuais.

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Um comentário sobre “O RESGATE DO BANDOLEIRO (The Tall T, 1957)

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