MATAR PARA VIVER (The River’s Edge, 1957)

É maravilhoso quando um filme consegue fisgar a sua atenção logo no início e não a larga. Só que MATAR PARA VIVER foi além e simplesmente não sai de minha cabeça. Completou-se quase um mês que eu o assisti e ainda me pego pensando em uma ou outra cena, em frames dignos de serem emoldurados, no que sabemos e no que ficamos sem saber sobre os seus personagens principais, nas ótimas atuações de Ray Milland, Anthony Quinn e Debra Paget e especialmente, na direção impactante e ‘no nonsense’ de Allan Dwan.O roteiro de Harold Jacob Smith e de James Leicester poderia ter sido inteiramente filmado como um western ou um Noir, mas MATAR PARA VIVER consegue ter um pouco de um e um pouco de outro sem deixar isso afetar a sua própria personalidade. Milland, Quinn e Paget formam um trio de personagens que passam longe de serem considerados bonzinhos e inocentes. Mas o Nardo do Milland consegue ser o pior com folgas. O sujeito é um tipo extremamente miserável, cínico e manipulador que é divertidíssimo de se odiar, graças ao talento deste brilhante ator.

Todos os outros personagens que surgem em cena são quase figurantes nessa história contada com um orçamento limitado mas talento e criatividade de sobra. Assim como no maravilhoso HOMENS INDOMÁVEIS (Silver Lode), Dwan dá uma verdadeira aula de cinema. Basta reparar em cenas-chave como a do atropelamento, Ben (Quinn) cuidando do braço ferido de Meg (Paget) e… puxa vida, no final inteiro.

MATAR PARA VIVER é um filme incrivelmente moderno para o período de sua realização, dotado de uma energia e inteligência fora do comum para algo que tinha apenas a pretensão de ser um simples e compacto ‘thriller’ B. Difícil de acreditar que o diretor tinha impressionantes 72 anos de idade na ocasião do lançamento desta produção nos cinemas. A parceria entre Allan Dwan e o produtor Benedict Bogeaus renderia nada menos que 10 filmes lançados entre 1950 e 1961, como o já citado HOMENS INDOMÁVEIS e o último de ambos: O MAIS PERIGOSO DOS HOMENS (The Most Dangerous Man Alive), um híbrido de filme de gângster com ficção científica que foi filmado em 1958 mas só chegou a ser lançado três anos depois.

Com uma carreira que data do cinema mudo, o canadense Allan Dwan tem mais de 400 curtas e longas como diretor de acordo com o IMDB. Hoje o seu nome é apenas conhecido por um grupo muito, mas muito pequeno de críticos e cinéfilos. E devo dizer que eles – inclusive o rapaz que escreve neste blog – tem uma parcela de culpa por essa situação atual. Chega a ser absurdo que MATAR PARA VIVER e outros trabalhos de Dwan sejam quase obscuros ou até mesmo esquecidos por tanta gente. E é por isso que fico por aqui com um pequeno apelo ao amigo leitor: vamos assistir e falar mais sobre os filmes de Allan Dwan!!

MATAR PARA VIVER foi lançado em DVD no Brasil pela Classicline.
O filme pode ser adquirido nas melhores lojas e no site da própria distribuidora.

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