DVD: Na Rota dos Proscritos (Ride a Crooked Trail, 1958)

Nota-se uma tendência nos westerns que Audie Murphy estrelou como contratado da Universal. Quase sempre esse herói de guerra transformado em ator está acompanhado de um a três atores e atrizes que, se não eram astros, gozavam de uma pequena fama ou estavam prestes a serem descobertos. Isso quando ele não se encontrava cercado por ‘character actors’ de todos os lados, como aconteceu em BALAS QUE NÃO ERRAM.

NA ROTA DOS PROSCRITOS é outra produção desse período da carreira de Murphy lançada pela Classicline. No filme, o astro do gênero contracena com Walter Matthau, Gia Scala e o eterno vilão Henry Silva.

Os primeiros minutos desse faroeste dirigido por Jesse Hibbs e com roteiro de Borden Chase (de RIO VERMELHO e outros clássicos) são explosivos. Em uma sequência puramente visual, livre de qualquer tentativa de diálogos, vemos o personagem de Audie Murphy sendo caçado por um homem desconhecido. O seu nome é Joe Maybe e o rapaz nada mais é do que um fugitivo da justiça. Durante um golpe de sorte, o perseguidor morre e o ladrão de bancos decide se dirigir a uma cidade mais próxima. O porém é que a cidade escolhida tem como juiz um sujeito linha dura e alcóolatra chamado Kyle (Walter Matthau).

Apesar de um confronto entre os dois resultar numa bala alojada no seu braço direito, Kyle não vê Maybe como o criminoso procurado e sim, como o homem da lei que vemos falecer no início do filme. O juiz propõe que o recém-chegado passe a ser o xerife (!!!) da cidade, algo que ele aceita como uma maneira de ficar escondido e longe da cadeia por algum tempo.

As coisas mudam de figura quando a vigarista Tessa (Gia Scala) também chega à cidade e reconhece Maybe, forçando o foragido a apresentá-la ao juiz como a sua esposa. A tarefa dela é vigiar o banco para que Sam Teeler (Henry Silva) e sua gangue o assaltem dentro de poucos dias. Ah, e no meio de tudo, também temos um garoto órfão (Eddie Little) e o seu cachorrinho que só estão presentes nessa história para amolecer o coração do casal do filme e claro, o do espectador também.

Para um western estrelado por Audie Murphy, NA ROTA DOS PROSCRITOS oferece pouca ação. E por incrível que possa parecer, é a partir da metade do filme quando Teeler e sua gangue entram em cena que a produção perde boa parte de sua força e ritmo. Henry Silva também aparece menos do que o necessário para que seu personagem cause uma maior impressão. Mesmo assim, o longa se sustenta até o seu final graças à competente direção de Hibbs e o seu trio principal de atores.

A cereja do bolo é um impagável Walter Matthau em seu início de carreira no cinema, roubando todas as cenas em que aparece. Sua atuação como o juiz Kyle é tão relaxada e sincera que Murphy, visivelmente, se deixa influenciar pelo jeitão de Matthau e fica muito à vontade em seu papel. O astro até se solta mais nas obrigatórias cenas românticas que ele parecia se sentir constrangido em fazer. Talvez seja porque Gia Scala se mostra mais do que um rostinho bonito, entrega um ótimo desempenho e segura a onda valendo nos momentos em que contracena com Murphy e Matthau. É lamentável saber que ela foi vítima de uma forte depressão e faleceu com apenas 38 anos de idade.

O longa ainda confere um tratamento muito digno a um tema caro ao gênero, especialmente em relação aos filmes feitos nos anos 50: a redenção. Mas não espere por nada tão aprofundado. NA ROTA DOS PROSCRITOS é mesmo um daqueles faroestes leves e bem humorados que são perfeitos para serem assistidos em uma manhã ou tarde preguiçosa com toda a família na sala. 😉

As imagens utilizadas na resenha foram capturas a partir do DVD nacional da Classicline. O filme é apresentado em seu formato original de tela (widescreen), som original e a ‘dublagem clássica’ que essa distribuidora parceira sempre tenta resgatar para os seus lançamentos. Aquisição recomendada aos fãs do gênero e de Audie Murphy.

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2 comentários sobre “DVD: Na Rota dos Proscritos (Ride a Crooked Trail, 1958)

  1. Boa resenha. Audie Murphy é isso mesmo.Não é ator, mas é carismático e generoso. Possui uma legião de fãs ao redor do mundo. Afinal, ele foi o último grande astro dos faroestes B, o último mocinho. Este filme é muito bom, muito engraçado. Se falta ação, sobra humor (mas não falta ação, não, hahahaha!!!!).

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