“Casei-me com um Morto” (No Man of Her Own, 1950)

Grávida, sem dinheiro e abandonada pelo namorado Stephen, Helen Ferguson resolve voltar para sua terra natal. O trem que ela pega, sofre um grande acidente, e ela vê a oportunidade de assumir a identidade de Patrice Harkness, morta juntamente com o marido Hugh. Helen é aceita pela família do morto, que ainda não conhecia a esposa. Poderia Helen agora controlar seu destino?

Credita-se muito do sucesso de CASEI-ME COM UM MORTO à interpretação de Stanwyck na pele da atormentada protagonista. Sim, ela está impressionantemente bem em um papel que exigia uma grande atriz. Stanwyck domina as nossas atenções mas também não se deve subestimar o fato de termos um Mitchell Leisen no comando deste filme. Fez toda a diferença.

Diretor homossexual que trabalhava no 1o. escalão da Paramount nos anos 30 aos 50, Leisen compreendeu como poucos poderiam ter compreendido a importância de conquistar a simpatia do espectador para com Helen. Ele sabia como era se sentir como um ‘outsider’ no “studio system” da época. Leisen não deixa qualquer dúvida de que Helen faz o que faz visando o bem estar do seu filho. E com exceção de uma única personagem, as mulheres do filme são vistas como nobres, fortes e virtuosas. Isso nos leva a pensar que talvez a nossa protagonista não teria muitas chances de sobreviver e tentar ser feliz se não estivesse cercada por essas pessoas.

Vale mencionar que o filme também possui uma ótima montagem por parte de outra mulher, Alma Macrorie. Lyle Bettger, que fez carreira interpretando vilões, está brilhantemente odioso como Stephen, que volta em cena para fazer da nova vida de Helen um verdadeiro inferno. CASEI-ME COM UM MORTO foi muito bem sucedido em ser um melodrama feminino que abraça o fatalismo do Noir. Muitos admiradores do estilo costumam reclamar do ‘final feliz’ desse filme. Ainda que pudesse ser mais sombrio, o final da única incursão de Leisen nesse universo passa longe de ser 100% feliz.

O longa é adaptado de um romance de Cornell Woorich (com o pseudônimo William Irish) que ganharia outras três adaptações: J’ai épousé une ombre (1983), “Amor Por Acidente” (Mrs. Winterbourne, 1996) e o telefilme “She’s No Angel” (2002), que curiosamente não creditou a obra que a originou.

CASEI-ME COM UM MORTO foi lançado aqui no Brasil pela Obras-Primas do Cinema como parte da sua “Coleção Dose Dupla”. Volta e meia, a distribuidora lança edições especiais com dois filmes de personalidades marcantes do cinema em um único DVD. Foram contempladas atrizes como Doris Day, Ingrid Bergman, Joan Crawford, Natalie Wood e – até o momento – um único diretor, Ronald Neame. O último lançamento da coleção foi dedicado a Lucille Ball.

“Coleção Dose Dupla – Barbara Stanwyck” também oferece o delicioso ‘pre-code’ TRIUNFOS DE MULHER dirigido por William A. Wellman e de extra, um excelente documentário de 68 minutos sobre esse período do cinema norte-americano: “Sexo, Pecado e Censura: o Pré-Código em Hollywood” (Thou Shalt Not: Sex, Sin and Censorship in Pre-Code Hollywood, 2008). CASEI-ME COM UM MORTO e TRIUNFOS DE MULHER são apresentados em cópias restauradas que preservam o formato de tela original. As imagens do filme utilizadas na resenha foram capturadas a partir deste DVD que pode ser encontrado nas melhores lojas físicas e virtuais.

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Um comentário sobre ““Casei-me com um Morto” (No Man of Her Own, 1950)

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