DOZE HOMENS E UMA SENTENÇA (12 Angry Men, 1997)

Em celebração aos 40 anos de um brilhante filme de Sidney Lumet chamado DOZE HOMENS E UMA SENTENÇA (1957), a MGM chamou ninguém mais, ninguém menos que William Friedkin para dirigir uma nova versão para TV a cabo dessa obra já tida como clássica e insubstituível. Apesar do grande nome escolhido para comandar a produção, é curioso imaginar a repercussão que essa notícia um tanto peculiar teria em tempos de redes sociais. Muito provavelmente veríamos compartilhamentos atrás de compartilhamentos de pessoas exclamando “ABSURDO!”, “DESNECESSÁRIO!” etc e etc. Como se a própria história não tivesse sido levada aos palcos de todo o mundo tantos anos depois do lançamento do filme de Lumet.

Bom, se existe uma refilmagem que derruba esse tipo de argumento… é justamente esse telefilme de 1997.

Um grande trunfo desse longa é o roteiro escrito pelo autor do original, Reginald Rose. A versão de 1957 é uma adaptação para cinema de uma produção para TV de 1954 também dirigida pelo próprio Lumet e escrita por Rose, que realiza um belíssimo trabalho de atualização da sua obra para um novo tempo. E a palavra ‘atualização’ aqui ganha um outro significado: inclusão.

A maior diferença entre os dois filmes pode ser notada em uma rápida comparação entre os seus elencos. Na produção de 1957, todos os 12 homens são brancos e não tão velhos entre si. No filme de 1997,  a diferença de raças, etnias e idades é bem maior. Aqui nós temos 4 jurados negros (Courtney B. Vance, Ossie Davis, Dorian Harewood e Mylketi Williamson), 2 imigrantes (Armin Mueller-Stahl, Edward James Olmos) e os demais 6 são americanos brancos (George C. Scott, Hume Cronyn, Jack Lemmon, Tony Danza, James Gandolfini, William Petersen). Como consequência, os choques raciais, morais e éticos são acentuados. O sentimento de inclusão também é reforçado pela escalação da atriz Mary McDonnell em participação especial como a juiz do caso.

A história continua a mesma, claro: um grupo de 12 jurados se reúne em uma pequena sala para decidir se um jovem acusado de matar o pai é inocente ou culpado. O veredito deve ser unânime. Se os jurados considerarem o réu culpado, esse veredito será acompanhado de uma sentença de morte.

Jack Lemmon – assim como Henry Fonda no clássico de 1957 – assume o papel do jurado #8. Muitos o olham como o herói de toda a história já que ele é o único personagem que considera o réu “inocente” na 1a. votação do grupo. Não é uma decisão que deva ser chamada de heróica. O jurado #8 revela que também não acredita de imediato na inocência do réu porém se mostra indignado com o fato de que todos os demais tenham decidido tirar a vida de um rapaz em tão pouco tempo. Trata-se de uma decisão humana.

Mas parte do encanto dessa história reside na certeza de que nunca chegaremos a conhecer e compreender totalmente esses personagens. Com exceção de 2 dos jurados que se apresentam para o outro na última cena do filme, o espectador só conhece os demais pelos seus números.

A direção de Friedkin é magistral e, ao mesmo tempo, muito discreta. O realizador de O EXORCISTA e VIVER E MORRER EM LA prefere não chamar tanta atenção do espectador para o seu trabalho. Ele sabe que o filme pertence ao novo roteiro de Rose e ao elenco genial que a produção reuniu com muitos desses atores brilhantes (sim, todos os 12… sem exceção) em alguns dos melhores desempenhos de todas as suas carreiras. O momento final de um gigante como George C. Scott é tão triste e devastador quanto o de Lee J. Cobb na versão anterior.

Portanto, assista ao longa de 1957 e o de 1997 também. As duas versões possuem diferenças que não fazem um filme tirar o brilho do outro. Ambas são experiências memoráveis e recompensadoras.

Curiosidades:

01 – Jack Lemmon e George C. Scott teriam outro duelo de atuações em mais uma refilmagem para a TV a cabo da MGM, “O Vento Será Tua Herança” (Inherit the Wind, 1999). Seria o último papel de Scott.

02 – A indicação de Jack Lemmon ao Globo de Ouro de 1998 de melhor ator em minissérie ou filme feito para TV gerou um momento inusitado na premiação. Vejam por vocês mesmos. 🙂

DOZE HOMENS E UMA SENTENÇA é um dos lançamentos mais recentes da Obras-Primas do Cinema
e pode ser encontrado nas melhores lojas.

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Um comentário sobre “DOZE HOMENS E UMA SENTENÇA (12 Angry Men, 1997)

  1. Uma curiosidade: Cobb e Scott trocaram personagens por duas vezes e com o indireto (ou não) envolvimento de Friedkin. O Tenente William Kinderman, na primeira versão de O Exorcista foi vivido por Cobb (por sinal com direção de quem????). Já em O Exorcista III, o papel do tenente coube a Scott

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