DVD: “Ser ou Não Ser” (To Be or Not to Be, 1942)


Graças ao seu sucesso na Europa, o judeu alemão Ernst Lubitsch chegou em Hollywood e atravessou o período do cinema mudo ganhando fama com uma série de comédias sofisticadas. Durante os anos 30 e com o início da 2a. Guerra, os grandes estúdios tentaram focar em filmes de puro entretenimento, se esquivando de lidar com temas políticos. Mas dois dos filmes mais lembrados da fase final da carreira de Lubitsch o fizeram: “Ninotchka” (1939), estrelado por Greta Garbo e Melvyn Douglas – que ganhou a famosa tagline “Garbo Ri!” no material de divulgação – e aquele que é tido por muitos como a sua obra-prima: SER OU NÃO SER. Essa sátira inesquecível recebeu uma edição especial de colecionador pela distribuidora Obras-Primas do Cinema.

Beneficiado por um elenco inspiradíssimo, SER OU NÃO SER tem o seu foco em uma companhia teatral polonesa liderada pelo ator pomposo e canastrão Joseph Tura (Jack Benny) e sua esposa, a também atriz Maria Tura (Carole Lombard, em seu último filme) que flerta com o jovem aviador Sobinski (Robert Stack, muitos anos antes de tornar-se Eliot Ness na série “Os Intocáveis”) enquanto o maridão destrói Hamlet no palco. No início do longa, os atores são vistos ensaiando uma peça intitulada “Gestapo”, uma comédia que satiriza o nazismo, assim como… ora ora, esse filme!!

O que vemos a seguir é a invasão dos nazistas à Polônia e essa trupe fará de tudo para salvar as vidas de membros da resistência polonesa se envolvendo em uma história de traição e espionagem. Na esperança de continuarem vivos, cada um deles deverá entregar as melhores atuações de suas carreiras.

O diretor empregou aqui o seu famoso “Toque Lubitsch” com excelentes resultados para fazer com que o espectador americano e internacional se divertisse enquanto a produção chama a atenção para o que acontecia na Polônia invadida e os horrores da 2a. Guerra. O porém é que o público do período não entendeu isso muito bem, achando que estava cedo demais para ‘brincar’ com a situação e ver os nazistas serem tratados como completos idiotas.

Essa fria recepção na época do lançamento de SER OU NÃO SER é até compreensível se pensarmos no quanto o nazismo já tinha se fortalecido, no ataque a Pearl Harbor em dezembro de 1941 e no precoce falecimento da estrela Carole Lombard aos 33 anos em um acidente aéreo durante uma missão patriótica no dia 06 de janeiro de 1942. A tragédia ainda vitimou a mãe da atriz e 20 outras pessoas.

Assim como aconteceu com o também incompreendido “O Grande Ditador” (1940) de Charles Chaplin, foi o tempo que fez justiça a esse grande filme. SER OU NÃO SER ganharia uma refilmagem em 1983 com o “Toque Brooks” e livre de qualquer preocupação com o Código Hays chamada “Sou ou Não Sou?” estrelada por Mel Brooks, Anne Bancroft e Tim Matheson nos papéis de Benny, Lombard e Stack.

O DVD da Obras-Primas do Cinema apresenta o filme em uma excelente versão restaurada com áudio original e legendas em inglês e português. Há também a opção de menus em inglês e português. Nos extras, temos “Palácio Pinkus”, curta de 45 minutos dirigido e estrelado por Lubitsch e o documentário francês “Lubitsch Le Patron” com críticos, pesquisadores e convidados discutindo a vida e obra do diretor.

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Todas as imagens do filme na resenha foram capturadas a partir dessa edição em DVD que pode ser adquirida nas melhores lojas.

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